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"Separações"

por    Alexandre Perlingeiro

                    
                     

          Tenho recebido alguns alunos com grande sofrimento por causa de separações amorosas recentes, alguns até em crise depressiva ou síndrome do pânico. Isto está me fazendo refletir sobre o assunto e gostaria de compartilhar com vocês.

          Primeiramente a pergunta: por que isto acontece? Muitos tenderão a responder que é por amor, mas não concordo com isto. Por amor não se sofre. A dor é da perda, da falta, do fim, da morte, mas isso não é amor. O amor nos torna plenos e se estamos nos sentindo de outro modo é porque não estamos amando.

          É importante termos clareza desse ponto, pois estamos acostumados com o oposto. O que chamamos comumente de amor é em realidade egoísmo. O egoísmo é uma tentativa de amar somente a si próprio e por causa disso fadada ao fracasso. Se é condicional, é limitado e egoísta. Somente a generosidade incondicional é amor. Ser generoso para o outro e para si próprio, ser generoso ao dizer sim e ao dizer não, ser generoso ao dar e ao receber, ser generoso ao sorrir e ao chorar.

          Ser amoroso é agir a partir do coração fazendo a coisa certa, aquilo que deve ser feito (dhármico). E essa consciência, muitas vezes, só temos com o passar do tempo. Muitas vezes sofremos ao fazer aquilo que deve ser feito, sabemos que estamos certos, mas, ainda assim, sofremos. O ato foi amoroso, mas sofremos com ele. Em realidade, não sofremos por amor, mas por ignorância. É a ignorância que nos faz sofrer. Mas assim deve ser. Somente nós, humanos, temos o poder e a bênção do livre arbítrio. Somente nós temos o poder de errar e aprender. E isso é uma bênção.

          Pois bem, tendo isso em mente, vamos às separações.

         Geralmente projetamos no outro o objeto do nosso desejo. Somente o outro pode nos fazer felizes, somente o outro pode nos completar. Isso é um grande engano! Ninguém, nada fora de nós pode nos completar porque nada nos falta. Se estamos com a consciência de sermos faltantes, isso não é consciência e sim ignorância. Geralmente indica problemas de auto-estima (Manipura Chakra). A relação com os pais também influencia. Quando temos um bom continente (Muladhara Chakra energizado), nos relacionamos com a vida de uma maneira mais sadia, encarando as pessoas e situações como aliados ou pelo menos como desafios positivos. E, é claro, se o coração é generoso (Anahata Chakra equilibrado), sou capaz de doar com mais facilidade e a troca flui naturalmente.

          Geralmente tornamos o outro nossa muleta para tapar nossos buracos (que supomos existir). Quando perdemos nossas muletas, somos obrigados a nos defrontar com nossas deficiências e com os pontos que precisam ser trabalhados. Em outras palavras, estamos aproximando nossas consciências da Unidade. E, por causa disso, sofremos, pois é impossível viver a plenitude sem sentir dor.

          Dor e prazer fazem parte da vida. Este sentimento que chamamos de amor pleno inclui alegria e tristeza. Ao nos relacionarmos com o outro, obrigatoriamente, necessariamente, vamos sofrer. Mesmo que o outro seja nosso parceiro(a) perfeito(a) - que não existe, ainda assim, ao menos uma única vez vamos sofrer - e sofrer muito. Para todos que amam, a morte há de por um fim no amor, melhor, no objeto amado.

          Morte, angústia de quem vive - e de quem ama. Em última instância, ela é nossa maior angústia. Difícil, dolorosa - e saudável! É assim que deve ser. Devemos prantear o luto, a perda, a falta. Devemos chorar e o desespero deve passar por nós - não ficar em nós!

          O ponto central é como lidar com essa dor. Quanto mais fugir dela, mas ela se fará presente. Quanto mais tensão e contração, mas viva a dor está. Quanto mais aceitá-la (relaxamento e exalação), mais naturalmente ela seguirá seu curso.

          Há também o medo antecipado. Antevendo o sofrimento inexorável, nos fechamos para a vida.

          Por apego ao prazer fugimos da dor. Por ignorância tentamos não sofrer. Ousamos querer não morrer. Assim deve ser. Como ignorantes, faz parte de nossa busca o sofrimento.

          Na minha relação com Fatima, percebo exatamente isso. Meu amor não é pleno pois sei que, mais cedo ou mais tarde - com toda certeza em algum momento, vou ter que abrir mão desse amor, quero dizer, da minha amada. Isso me desespera e me bloqueia. Sinto-me incapaz de amá-la totalmente pois tenho medo de sofrer. E quanto mais pleno é o amor, maior o sofrimento.

          Com Dakshina Tantra aprendemos a suportar esse sofrimento. Somos mais fortes do que a dor - pelo menos é isso que vivo repetindo para mim! Aprendemos a lidar com dor e prazer da mesma maneira e, assim, a agir corretamente (fazendo o que deve ser feito).

          Com o Tantra, conhecemos o amor, aprendemos a amar e nos aproximamos da plenitude.

          Com carinho.

PS.
Quem é esse que conhece o amor, que aprende a mar e se aproxima da plenitude?



Alexandre Perlingeiro - Vice-presidente da Associação Brasileira de Dakshina Tantra Yoga.
Formado pela Associação Brasileira de Professores de Yoga, com especialização em Dakshina Tantra com Paulo Murilo Rosas.
Formação em Recuperação Motora e Terapia pela Dança-Escola Angel Viana. Massoterapeuta e Shiatsuterapeuta. Arteterapeuta e Arte-Educador (Tear-RJ). Terapeuta Reikiano nível I e II.

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