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Esse medo faz com que as pessoas arrumem desculpas e
justificativas para explicar suas inseguranças. Ele faz parte da nossa
vida. Negá-lo ou inventar respostas fáceis é o que menos resolve.
Todos os seres humanos possuem um grande objetivo na vida: viver
em estado de pleno amor. Talvez poucas pessoas estejam conscientes da
importância que o amor tem ou pode ter em sua existência. Alguns vivem o
amor em sua plenitude pelo simples fato de dispor dele em abundância.
Aprenderam a amar, a se entregar ao ser amado e a criar relacionamentos
criativos.
Infelizmente, porém, a realidade da maioria é o permanente estado
de carência, de confusão emocional, de miséria afetiva. Vivem em solidão,
isolados num apartamento, ou num casamento sem amor, ou em relações
superficiais sem um envolvimento profundo.
O grande medo do homem moderno é o de amar, que é tão grande quanto o
medo de não ser amado. Num mundo tão materialista, muitas pessoas se
sentem envergonhadas de amar, como se fosse algo ridículo e bobo. Somos
seres nascidos para o amor e, no entanto, negamos na prática nossa
própria essência.
Cada um de nós sabe que amar alguém pode provocar uma sensação de
fragilidade e dependência; a presença do outro torna-se vital, e a
possibilidade de ser abandonado a qualquer momento fica tão ameaçadora
que, em geral, as pessoas optam pela saída mais fácil: sabotar a
possibilidade de viver um grande amor.
Eis aqui um dos grandes dilemas do ser humano: queremos viver um
grande amor, mas procuramos o tempo todo destruí-lo. Certamente, as
tentativas de destruição não são totalmente deliberadas e planejadas,
porém o que conta é o resultado final.
O medo de amar é uma praga, uma erva daninha que corrompe o
coração da maioria das pessoas. E depois vêm as queixas de solidão,
desilusão, sofrimento.
Imagine o caso de uma amiga. Estamos numa segunda-feira e você vê,
ao longe, no corredor da faculdade (ou da fábrica, escritório ou
consultório), a sua amiga Sueli. Ela está esplendorosa, radiante. Sua
aura brilhante está à mostra, pulsando com todo o vigor. Ao aproximar-se
dela, você a cumprimenta com entusiasmo e pergunta o que está
acontecendo.
Ela responde que encontrou o homem de sua vida, alguém
inteligente, culto, sensível, bonito, com uma conversa atraente,
participativa, e um jeito másculo e sensual. Sueli fala do olhar meigo e
penetrante do parceiro, do seu toque suave, de seus abraços (mais
gostosos que um mergulho no mar em dia de sol) e, para completar, diz:
“Não entendo como um homem tão especial ainda não se casou! Agora que o
encontrei, tenho certeza de que vou fazer tudo para dar certo”.
Ela se despede e você sai todo feliz, por ver que sua amiga, por
fim, encontrou alguém capaz de motivá-la a amar e a viver um grande amor.
Uma ou duas semanas depois, você a encontra outra vez e percebe
que ela já não está tão radiante. Seus passos já não parecem tão firmes
e, quando você lhe pergunta “Como está indo o namoro do ano?”, ela
friamente responde: “Vai bem”.
Você pensa: “Como um namoro com um homem tão sensacional pode
ficar, em menos de duas semanas, simplesmente... bem?”
Ela continua: “Estamos nos dando conta de um monte de desacertos.
Acho que ele me tolhe muito; estou me sentindo sufocada, mas vamos
levando”.
Vocês se despedem, e uma série de imagens de relacionamentos com
pessoas especiais que você amou e das quais, por causa dessa mesma
sensação de sufocamento, se separou começa a aparecer na sua cabeça.
Quando você a encontra alguns dias depois, ela está visivelmente
de baixo-astral, com a aparência de que algo ruim aconteceu. Antes de
você falar qualquer coisa, ela diz: “Não deu certo, nós nos separamos.
Foi melhor assim; pelo menos nós nos respeitamos e não nos machucamos”.
Sem mais comentários, ela se despede. Cada um vai para o seu lado
e você continua pensando como pôde acabar, tão rápido, algo que tinha
tudo para dar certo.
Ou será que foi exatamente porque ia dar certo? Não terá sido
justamente por causa do medo de que desse certo?
O medo de amar existe.
Esse medo faz com que as pessoas arrumem desculpas e
justificativas para explicar suas inseguranças. Ele faz parte da nossa
vida. Negá-lo ou inventar respostas fáceis é o que menos resolve.
Certa vez, depois de um caso amoroso mal resolvido, um rapaz
muito bem-sucedido nos negócios desabafou: “Meu coração secou e está
fechado”. Em todas as ocasiões fazia o maior esforço para parecer seguro,
autoconfiante. Estava convencido de que jamais deixaria alguém invadir
novamente seu espaço, sua vida. Talvez imaginasse que, destruindo o amor
antes mesmo de ele nascer, teria chances de sair “ileso” de qualquer
relação. O medo de sofrer novamente por amor era tão grande que
inviabilizava uma nova relação. Por medo de sofrer, condenou-se a sofrer
todos os dias a dor da solidão.
O melhor, sem dúvida, é estar atento para esse medo, dar um
mergulho na própria vida e perceber que, no fundo, quando alguém está
decidido a ficar sozinho por medo de ser abandonado outra vez, não
consegue mais enxergar o amor e tampouco tem olhos para a pessoa amada.
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