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"Vegetarianismo" Texto de Peter Singer |
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Na tradição ocidental, o Génesis sugere que os primeiros seres humanos eram vegetarianos e que a permissão para comer carne só teria sido dada após o dilúvio. A partir daí, o vegetarianismo encontra pouco apoio nas escrituras judia ou cristã, ou islâmicas. O vegetarianismo filosófico, por sua vez, foi mais forte na Grécia e na Roma antigas; foi defendido por Pitágoras, Empédocles, Plutarco, Plotino, Porfírio e, em algumas passagens, Platão. Os pitagóricos abstinham-se de todo o alimento animal e isto se devia, em parte, à crença de que homens e animais partilham a mesma alma e, ao que parece, por considerarem esta dieta mais saudável. Platão partilhava parcialmente estas duas ideias. O ensaio de Plutarco, Sobre Comer Carne, escrito em fins do século I ou início do século II de nossa era, é um argumento detalhado em defesa do vegetarianismo, apoiando-se nas ideias de justiça e tratamento humano dos animais. O interesse pelo vegetarianismo
ressurgiu no século XIX, devido a preocupações com questões de saúde
e tratamento humano dos animais. Entre os pensadores vegetarianos notáveis
contam-se o poeta Percy Bysshe Shelley, Henry Salt (que escreveu um
livro pioneiro na área, intitulado Direitos dos Animais), e
George Bernard Shaw, que afirmou ter usado, em suas peças, as ideias
que Salt lhe deu a conhecer. Na Alemanha, Arthur Schopenhauer insistia
que, por razões éticas, deveríamos nos tornar vegetarianos, não
fosse o facto de o género humano não poder existir sem alimento
animal, "no norte"!
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Peter Singer - Universidade de Princeton
Tradução de Eliana Curado |
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