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"Reich e o Prazer"

por    Alexandre Perlingeiro

                    
 

          'Prazer e alegria de viver são inconcebíveis sem luta, experiências dolorosas e embates desagradáveis consigo mesmo. A saúde psíquica não se caracteriza pela teoria do nirvana dos iogues e dos budistas, nem pela hedonismo dos epicuristas, nem pela renúncia monástica; caracteriza-se, isso sim, pela alternância entre a luta desprazerosa e a felicidade, o erro e a verdade, o desvio e a correção da rota, a raiva racional e o amor racional; em suma, estar plenamente vivo em todas as situações da vida. A capacidade de suportar o desprazer e a dor sem se tornar amargurado e sem se refugiar na rigidez, anda de mãos dadas com a capacidade de aceitar a felicidade e dar amor.'

          Wilhelm Reich, em 'A Função do Orgasmo' - Vol 1, citado em http://www.org2.com.br/frases.htm

          Um primeiro ponto que precisa ser esclarecido é que a visão de Reich a respeito do Nirvana estava
equivocada. O Nirvana não é um estado ausente de tensão, pelo contrário. Não sei dizer baseado em que texto ou ensinamento ele tirou essa conclusão. Do ponto de vista do Ajña Chakra, o que há em realidade é a superação (transcendência) dos pares de opostos que passam a ser vivenciados como aspectos de uma mesma Unidade da qual faço parte junto com tudo e com todos aqui e agora (imanência).

          Somos ondas no oceano cuja natureza sempre foi oceano. Esse nome onda induz a um erro: pensar que a
onda é distinta do oceano, não é. A natureza da onda é oceano. O nome foi dado por causa da forma onda, mas não deve encobrir a natureza oceano. O Nirvana é o reconhecimento de nossa natureza de oceano.

          Isto pressupõe e implica na vivência dos pares de opostos. Amo e odeio a mesma pessoa simultaneamente. É para ser assim. O ego (noção de ser limitado, de ser onda) não é capaz de aceitar e compreender o paradoxo, ou se ama ou se odeia.

          O Tantra buscará este estado que culminará com a desidentificação com a noção de ser indivíduo (o ego). Eu sou Shiva. Shivo'ham. Em um primeiro momento de maneira intelectual para, aos poucos, se tornar visceral, vivenciado. Não há nenhuma direção para qual me volte que eu não O encontre. Para onde olho só vejo o Senhor - inclusive diante do espelho.

Shiva, sempre Shiva, eternamente Shiva.


Alexandre Perlingeiro - Vice-presidente da Associação Brasileira de Dakshina Tantra Yoga.
Formado pela Associação Brasileira de Professores de Yoga, com especialização em Dakshina Tantra com Paulo Murilo Rosas.
Formação em Recuperação Motora e Terapia pela Dança-Escola Angel Viana. Massoterapeuta e Shiatsuterapeuta. Arteterapeuta e Arte-Educador (Tear-RJ). Terapeuta Reikiano nível I e II.

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alexandre.perlingeiro@tantrayoga.pro.br

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