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"O Raio Rubi"

por    Zantina

                    

                                                       

          O raio rubi é muito difícil de ser percebido, é mais fácil ver sua ação em outras pessoas. Porque essa irradiação faz com que a gente se esqueça de nós mesmos, mesmo que por um instante, em benefício de outro ser.
          Amor ao próximo, um trabalho visando a melhoria do grupo, o alívio da dor alheia, a doação de alimento, são manifestações desse raio quando realizados despretenciosamente.
          Mas amor ainda é uma lição pouco compreendida pela humanidade, e por isso usamos essa energia de forma muito errada.
          Com o propósito de auxiliar o próximo, tem muita gente atravessando a velhinha para o outro lado da rua sem antes se certificar de que é isso o que ela quer. Depois fica confuso quando leva uma bengalada da velhinha, pensando que é ingratidão.
          Para poder auxiliar outra pessoa é preciso, além de recursos, bom senso e discernimento.
          Não adianta fazer o que a gente acha que é o melhor para essa pessoa. O auxílio só acontece quando realizamos o que o necessitado deseja. Se isso parecer abuso, é só não fazer. E não fazer nada é melhor do que ser abusado e fazer o que não foi pedido.
          Na maioria dos casos, o melhor auxílio que pode ser dado aos outros é apoio e incentivo. Porque quando desabafamos que algo não vai bem em nossa vida, não estamos esperando que quem nos ouve resolva nossos problemas. Só estamos querendo partilhar um pouco nossa emoção e receber um voto de confiança na nossa própria capacidade de vencer, ou ao menos, suportar nossas dificuldades. Isso é manter nossa dignidade.
          Outra forma de mau uso dessa energia é o fanatismo. Infelizmente muitos de nós acreditamos ser um bom devoto – qualquer que seja a religião ou crença – e passamos a criticar ações ou crenças alheias.
          Comer carne ou ser vegetariano, participar ou não de certos rituais, usar velas ou ter boa concentração mental, estudar muitos livros ou cultuar a natureza – nenhuma dessas atividades nos torna mais ou menos espiritualizados. A espiritualidade se ilumina em nosso interior, com nossos bons pensamentos e bons sentimentos.
          Quem olha o exterior jamais fará bom uso do raio rubi. Só quando nosso olhar é capaz de atravessar o olhar de outra pessoa é que de fato nos tornamos próximos e passamos a amá-la.
          Por esses motivos, essa irradiação de amor é usada junto com a irradiação de sabedoria do raio dourado. Porque devoção sem inteligência resulta em pessoas que ficam apontando o dedo para as imperfeições dos outros.
          A ação do raio rubi e dourado é o que chamamos de "Amor ao Próximo"!
          Enquanto escolhemos o próximo que queremos amar e amamos com a condição de que o próximo tenha atitudes que consideramos corretas, nossos sentimentos ainda são rochosos.
          O coração é um belo rubi que precisa ser lapidado.

 

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