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"O Poder é para o Bem de Todos"

por    Alexandre Perlingeiro

                    

 

          Iniciação é uma palavra traduzida para o inglês como 'empowerment', que, por sua vez, também pode ser traduzida como empoderamento, aquisição de poder.
          Ao longo da sádhana, o caminho espiritual ou transcendental, pode-se adquirir alguns poderes especiais, chamados siddhis. Existem na Índia e pelo mundo afora grandes praticantes de yoga que, fruto do sucesso alcançado em sua prática pessoal, desenvolveram voluntariamente ou não alguns desses poderes. Há aqueles que suportam temperaturas extremas (vivem bem com pouca roupa tanto em montanhas geladas como nos desertos escaldantes), há os que materializam objetos, há os que se alimentam de prana (luz, energia), há os que conseguem ficar longos períodos (meses) sem respirar... Diversos são os siddhis.
          Todo poder gera uma responsabilidade. Junto com o siddhi temos a responsabilidade de utilizá-lo para o bem de toda a criação. Em geral ambicionamos somente o poder e nos esquecemos do dever que temos de utilizá-lo em prol de todos.
          Yoga é como a escola de bruxarias do Harry Porter. Isso é algo realmente atraente. Queremos ser poderosos, queremos ser invejados. Isso fortalece o ego. Yoga também serve para fortalecer o ego. Tudo no mundo, absolutamente tudo, inclusive o yoga, pode ser utilizado para reforçar as teias da nossa ignorância.
          Se essa é a sua proposta, tornar-se poderoso, faça yoga que você chegará lá.
          A pergunta crucial é: para que? Para que sermos poderosos?
          Se estamos na consciência da falta, se achamos que temos que fazer algo para sermos preenchidos, neste caso, como isto é ilusão, é um engano, nada será capaz de nos preencher. Yoga não será capaz de suprir esse vazio imaginário. No máximo, a pessoa ficará feliz enquanto estiver sendo admirada por causa desse poder. Mas, caso esse dom se torne banal, nem mesmo o yoga poderá ajudá-la.
          Um siddhi, utilizado de modo egoísta, se tornará um obstáculo na sádhana. Também dele precisamos nos desapegar e ultrapassar.
          Se vivemos na consciência da plenitude, então os poderes só são úteis na medida em que podem ajudar às pessoas. Eis aí o ponto central. Um poder só serve quando está a serviço do bem de todos. A sádhana só se completa quando nos colocamos por inteiro a serviço da Humanidade. É impossível se realizar e isto não se reverter para o mundo.
          Este é o grande sonho de consumo do ego. O ego quer se iluminar e se tornar o mais poderoso do mundo, um super-ego!
          A realização pressupõe a desidentificação com o ego. Ausência de egoísmo. Por causa disso, surge o desejo que muitos mais também possam se beneficiar.
          O verdadeiro mestre se coloca totalmente a serviço de todos. O poder é para o bem de todos. Não há preferências, nem há escolhidos. Cada um faz sua própria escolha pessoal. O mestre se coloca, quando solicitado, a serviço de todos. A realização implica serviço altruísta. O único interesse é que todos também possam se beneficiar.
          Meus amigos, reflitam: vocês querem se tornar poderosos? Para que?


Alexandre Perlingeiro - Vice-presidente da Associação Brasileira de Dakshina Tantra Yoga.
Formado pela Associação Brasileira de Professores de Yoga, com especialização em Dakshina Tantra com Paulo Murilo Rosas.
Formação em Recuperação Motora e Terapia pela Dança-Escola Angel Viana. Massoterapeuta e Shiatsuterapeuta. Arteterapeuta e Arte-Educador (Tear-RJ). Terapeuta Reikiano nível I e II.

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alexandre.perlingeiro@tantrayoga.pro.br

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