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Iniciação é uma palavra traduzida para o inglês como 'empowerment',
que, por sua vez, também pode ser traduzida como empoderamento, aquisição
de poder.
Ao longo da sádhana,
o caminho espiritual ou transcendental, pode-se adquirir alguns poderes
especiais, chamados siddhis. Existem na Índia e pelo mundo afora
grandes praticantes de yoga que, fruto do sucesso alcançado em sua prática
pessoal, desenvolveram voluntariamente ou não alguns desses poderes. Há
aqueles que suportam temperaturas extremas (vivem bem com pouca roupa
tanto em montanhas geladas como nos desertos escaldantes), há os que
materializam objetos, há os que se alimentam de prana (luz, energia), há
os que conseguem ficar longos períodos (meses) sem respirar... Diversos
são os siddhis.
Todo poder gera
uma responsabilidade. Junto com o siddhi temos a responsabilidade de
utilizá-lo para o bem de toda a criação. Em geral ambicionamos
somente o poder e nos esquecemos do dever que temos de utilizá-lo em
prol de todos.
Yoga é como a
escola de bruxarias do Harry Porter. Isso é algo realmente atraente.
Queremos ser poderosos, queremos ser invejados. Isso fortalece o ego.
Yoga também serve para fortalecer o ego. Tudo no mundo, absolutamente
tudo, inclusive o yoga, pode ser utilizado para reforçar as teias da
nossa ignorância.
Se essa é a sua
proposta, tornar-se poderoso, faça yoga que você chegará lá.
A pergunta
crucial é: para que? Para que sermos poderosos?
Se estamos na
consciência da falta, se achamos que temos que fazer algo para sermos
preenchidos, neste caso, como isto é ilusão, é um engano, nada será
capaz de nos preencher. Yoga não será capaz de suprir esse vazio
imaginário. No máximo, a pessoa ficará feliz enquanto estiver sendo
admirada por causa desse poder. Mas, caso esse dom se torne banal, nem
mesmo o yoga poderá ajudá-la.
Um siddhi,
utilizado de modo egoísta, se tornará um obstáculo na sádhana. Também
dele precisamos nos desapegar e ultrapassar.
Se vivemos na
consciência da plenitude, então os poderes só são úteis na medida
em que podem ajudar às pessoas. Eis aí o ponto central. Um poder só
serve quando está a serviço do bem de todos. A sádhana só se
completa quando nos colocamos por inteiro a serviço da Humanidade. É
impossível se realizar e isto não se reverter para o mundo.
Este é o grande
sonho de consumo do ego. O ego quer se iluminar e se tornar o mais
poderoso do mundo, um super-ego!
A realização
pressupõe a desidentificação com o ego. Ausência de egoísmo. Por
causa disso, surge o desejo que muitos mais também possam se beneficiar.
O verdadeiro
mestre se coloca totalmente a serviço de todos. O poder é para o bem
de todos. Não há preferências, nem há escolhidos. Cada um faz sua própria
escolha pessoal. O mestre se coloca, quando solicitado, a serviço de
todos. A realização implica serviço altruísta. O único interesse é
que todos também possam se beneficiar.
Meus amigos,
reflitam: vocês querem se tornar poderosos? Para que?
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