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"Individuação"

por    Alexandre Perlingeiro

                    
                     
          'O que torna uma substância comum esta substância específica?'

          Esta pergunta foi formulada no Dicionário Junguiano para tentar explicar o que seja o processo de
individuação, dinâmica essencial na Psicologia Analítica.

          Tentarei respondê-la do ponto de vista do Tantra.

          Antes de mais nada, há que se dizer que o próprio Jung afirmou ser impossível para um ocidental entender a visão de mundo de um oriental. Eis aí uma primeira diferença conceitual intransponível.
Outra diferença se refere às idades. O Tantra tem mais de 3.000 anos, enquanto Jung viveu na primeira metade do século passado, ou seja, não tem 100 anos. Por último, a Psicologia Analítica é uma psicologia do ego (busca o fortalecimento do ego para que possa ser permeado pela sombra), enquanto o Tantra pode ser considerado uma psicologia de superação do ego (o que, a meu ver, não exclui totalmente a visão anterior).

          Assim sendo, tanto no espaço como no tempo, qualquer estudo comparado entre eles fica bastante limitado.

          No entanto, ainda assim, mesmo considerando esses empecilhos fundamentais, ouso conjecturar algumas proposições tântricas para responder ao questionamento junguiano.

          O processo de individuação ocorre com o despertar da Kundalini, com a entrada da energia (prana) pela Sushumna Nadi (através do rompimento do Brahma Granthi ou do Shiva Granthi) e da conseqüente energização dos chakras ao nível do botão e da raiz.

          Quando esse processo energético é iniciado o praticante passa a buscar sua verdadeira natureza, ou seja, passa gradualmente a desidentificar-se com a noção de eu limitado e com o apego ao corpo.
Fazer sádhana é um caminho de individuação com certeza.

          Há que se notar que este caminho é de mão dupla: o que me diferencia é ao mesmo tempo o que me
iguala. Sou formado pela mesma substância de tudo e de todos. Essa vivência é o processo de individuação.

          Por isso, essa tomada de consciência é o que me torna único e, paradoxalmente, radicalmente idêntico. Desaparece o desejo de ser um indivíduo pois, ao me individuar, constato que não é possível sê-lo.

          Então, respondendo à pergunta, o que me transforma de idêntico em único é a própria constatação de ser idêntico - o que se dá pela desidentificação com a idéia errônea (ignorância) de ser único. Não é possível haver distinções (a não ser de forma) na substância única.

          E para você, o que te torna único?



PS.
Para além da verdade pessoal de cada um de nós, há que se provar e explicar o que foi dito. Mas isto
é trabalho para o futuro.
Alexandre Perlingeiro - Vice-presidente da Associação Brasileira de Dakshina Tantra Yoga.
Formado pela Associação Brasileira de Professores de Yoga, com especialização em Dakshina Tantra com Paulo Murilo Rosas.
Formação em Recuperação Motora e Terapia pela Dança-Escola Angel Viana. Massoterapeuta e Shiatsuterapeuta. Arteterapeuta e Arte-Educador (Tear-RJ). Terapeuta Reikiano nível I e II.

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Fale com Alexandre:
alexandre.perlingeiro@tantrayoga.pro.br

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