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"O Evangelho de Mateus" parte V

por    Josephat M. Mwanzia

                    

 

COMENTANDO O TEXTO – (pontos de conflito)

          "Quando o rei Herodes ouviu isto,teve medo,e toda Jerusalém com ele.."(2,3) Herodes tem medo da informação dos magos acerca da estrela e pergunta a respeito do rei. O verbo temer pode nos relembrar a resposta do rei Baltasar em Daniel 5,9 à ineficiência de seus conselheiros para interpretar "a escrita sobre o muro" é uma mensagem de condenação para seu reino. Como idumeu sem genealogia régia,(em contraste com Jesus) 1,1-17) Herodes é especialmente suscetível a pensar do apoio de Roma. Os magos e a estrela são perigosos porque eles desafiam a estabilidade política ao testemunhar um rei alternativo. Toda Jerusalém se une ao medo de Herodes dado o contraste entre a marginal Belém e a central Jerusalém . Toda não pode significar que tudo judeu teme por causa desta ameaça à posição de Herodes e rejeitam Jesus,em contraste com homenagem prestada pelos pagãos. No esquema de Deus Belém é lugar da nova criação, mas Jerusalém é lugar de temor porque as ações de deus refutam o poder e interesses criados.

          Ele reuniu todos os sumos sacerdotes e escribas do povo (2,4) como era típico em sociedades imperiais os sumos sacerdotes e escribas como lideres religiosos junto com os fariseus e saduceus fazem parte da elite. Juntos eles são membros das classes governantes que em aliança com Roma e seus representantes (Herodes e Pilatos) defendem a estrutura social hierárquica presente. Mateus coloca esta primeira aparição das lideranças religiosas,personagens importantes ao do evangelho. Eles são vinculados com medo de Jerusalém aliados com Herodes e introduzidos com o verbo reuniu o verbo reuniu é forma verbal de "sinagoga" que receberá consistentemente má reputação. O verbo aqui, então, refere-se a uma aliança de líderes religiosos que, com apoio de Roma opor-se a Jesus e o matará. Seu uso aqui representa a posição da aliança a Deus e Jesus como os típicos mas condenados comportamentos.

          O plural todos os sumos sacerdotes é incomum. Já que existe só um sumo sacerdote. Provavelmente indica os líderes religiosos em Jerusalém, incluindo não somente o sumo sacerdote, mas também os sacerdotes anteriores membros das famílias sacerdotais e aqueles ocupados com os tornos diários e semanais no templo. Portanto evoca a estrutura do poder central da elite sacerdotal cujo poder e status derivam de seu nascimento na linhagem sacerdotal. Herodes procura saber da elite onde o Cristo devia nascer. A sua pergunta não significa que existia uma expectativa comum de um lugar para o nascimento de messias (1,1) pelo contrario, a pergunta estabelece a subseqüente explicação do nascimento de Jesus em Belém como alguém nascido da linhagem de Davi.

          Os líderes religiosos desaparecem abruptamente! Eles mencionam as escrituras, mas não fazem nada. Em contraste como os pagãos e marginais magos, os lideres religiosos da elite sabem onde o Cristo deve nascer. Assim como José pode interpretar os sonhos de Faraó quando os adivinhos egípcios não podem (Gn 41) assim como Daniel pode interpretar os sonhos de Nabucodonosor quando os sábios babilônicos não sabem. O texto e a resposta dos lideres religiosos nos mostram que não ligam as escrituras a Jesus, sabem o Cristo deve nascer em Belém, mas não vão até ali. O poderoso centro resiste aos propostos de Deus enquanto o inferior (Belém) e os marginais (magos e pagãos) os abraçam. Chamar secretamente significa certo subterfúgio e decepção; os magos não são tratados como visitantes valiosos, mas como servos quando Herodes lhes dá instruções para cumprir a sua ordem.

          Os magos viram o menino com Maria sua mãe. José não é nomeado. Um progressivamente, ecos da historia de Moisés aparecem nesta cena quando Jesus revive eventos no passado de Moisés e Israel.um novo êxodo ,uma nova libertação da escravidão e opressão. Farão/imperadores não tem a ultima palavra, não importa o quanto eles resistam aos propostos de Deus.

CONCLUSÃO

          Existe um contraste entre elite urbana, o poderoso centro que resiste aos propósitos de Deus, e aqueles marginais a este centro (os magos o povo de Belém) que vai ao encontro dos propósitos de Deus. Os magos modelam importantes dimensões de discipulado: sua marginalidade, sua descoberta dos propósitos de Deus, culto, fidelidade e obediência aos propósitos de deus diante ações de Herodes.o mundo do império é um lugar perigoso para aqueles que procuram o projeto de Deus e respondem positivamente a iniciativa divina. A visão de Deus da sociedade e da justiça humana difere tão grandemente com sua preferência pelas margens. É a tal existência que o evangelho chama sua audiência como marginais voluntários, advertindo que é perigosa, mas assegurando que é divinamente guiada e protegida.


Leia: Evangelho de Mateus - parte I
- parte II - parte III - parte IVparte V

Josephat Mweu Mwanzia - Queniano - Missionário da Consolata e estudante de Teologia no Instituto Teológico de Estudos Superiores (ITESP) São Paulo.

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