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"O Evangelho de Mateus" parte
I
por Josephat M. Mwanzia |
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Para entender como as comunidades de
Mateus viram em Jesus o Messias esperado, vamos relembrar como estava a
Palestina no tempo e na época em que começaram a surgir as primeiras
comunidades Cristãs. A lei determinava todos os setores da vida do povo: culto, dizimo, circuncisão, observância do sábado e obras de piedade. A principal lei era a do Sábado, que mantinha a memória da libertação e assegurava o descanso. A lei do poro-impuro definia quem estava perto e quem estava longe dele. Também tinha a crença na ressurreição e a teologia da retribuição. De acordo com essa teologia o justo era aquele que estava em dia com todas as exigências da lei; somente essa pessoa podia ter acesso à comunidade. Ao caso contrário deveria oferecer sacrifícios e ofertas para se purificar. Os pobres os doentes os deficientes permaneciam sempre impuros. Com um bom olhar percebemos que o Jesus Mateano, ou seja, Mateus apresenta Jesus estava contra tudo isso e lutava para a dignidade humana, pregado o reino da justiça aonde todos são iguais.
DESTRUIÇÃO DO TEMPLO Quando Roma interferiu e requisitou o dinheiro do Templo, em 66 d.C., os grupos que tinham interesse no templo, apensar de suas divergência internas, se uniram contra o grande império. A onda de revolta popular se transformou na formosa Guerra Judaica que durou quase dez anos (66- 73 d.C). Dois Grupos de judeus não assumiram a guerra até o fim: Judeus Cristãos e os Judeus fariseus e Escribas. Os Cristãos que começaram a se reunir nas casas, pouco a pouco foram se distanciando do Templo. Diante da clima de revolta e fuga da perseguição do império e da pressão dos grupos do judaísmo formativo saíram de Jerusalém e se espalharam para alem do Jordão, norte da Galiléia e Síria. (4,23-25) Na Guerra Judaica, o templo foi destruído. Isso significa a destruição do centro cultural e religioso dos Judeus. Acabaram o culto, os sacrifícios, as liturgias e as celebrações. AS COMUNIDADES DE MATEUS Quando terminou a Guerra Judaica o império Romano se apropriou das terras produtivas dos Judeus. A situação da Galiléia, que já era ruim, piorou. Muitos agricultores se tornaram arrendatários, empregados, meeiros e até escravos. Muitos camponeses perderam tudo que haviam plantado. No campo e na cidade havia gente que passava fome. No evangelho de Mateus, há várias parábolas de Jesus que evidenciam o que estava acontecendo. Havia ricos que até se davam ao luxo de morar no estrangeiro e deixar sua plantação nas mãos de arrendatários (21,33) muitos donos de terra exigiam dos meeiros mas não podia (25,26) também o desempregado era enorme! Havia gente que passava a dia todo nas praças à espera de quem os contratasse (20, 1-7) Dessas comunidades das pessoas pobres e exploradas do Norte de Galiléia e Síria, surge o evangelho de Mateus. São comunidades com a presença marcante de judeus comprovada pela a preocupação de Mateus que insiste em mostrar a importância da Lei (5,17-19) nessa comunidade encontramos também os judeus com mentalidade helenista, ou seja gente que não estava presa à lei e ao Templo. Alem disso haviam estrangeiros fazendo parte das comunidades, haja vista preocupação de Mateus com a missão a todas as nações. (28,19).
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Josephat Mweu Mwanzia - Queniano - Missionário da Consolata e estudante de Teologia no Instituto Teológico de Estudos Superiores (ITESP) São Paulo. |
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