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"Deus e a Evolução da Psique"

Texto de   Cesar Ciancio   

                    
 

A história natural da deidade.

Onde deus se realiza.

          Na primeira fase da evolução natural da deidade, deus era o pai, o deus da Hybris, o deus da violência, o deus que não morre nunca.
          Nessa primeira fase é deus bissexuado continha dentro de si o masculino e o feminino,muitos o desejam assexuado,o mais um e o menos um; mas é um deus guerreiro,
          É um deus onisciente, onipresente, mas é um deus fora do homem,
          Nessa fase ele ainda era o deus da guerra, era um deus justiceiro, nessa fase era o deus das tábuas da lei, magníficamente representando e literalmente ele era o Outro,o alter ego, o super ego dos gestos e atos magníficos; porém só divino. Mesmo assim era o deus dos instintos.

          Numa segunda fase era deus filho, era deus inconsciente, porque era vindo de dentro de uma mulher, deus que veio de  dentro do útero de uma mulher,que veio do feminino, e deus que fugia ao seu destino como foge hoje ainda  a humanidade do seu destino, mas já era um deus sexuado e masculino, ele era o deus amor, o deus do amor, o deus da paz, e da não violência; mas já era um deus que morre, e morre por causa dos nossos pecados, o que gerou a sua religião, aumentou a nossa culpa, e gerou a necessidade de sua existência,esse deus era metade homem e metade divino, porém esse deus já está definitivamente dentro de nós; sendo que uma metade dele é o Outro dentro de nós e a outra metade somos nós mesmos divinos porém inconscientes disso.Esse é o deus sélfico, o deus das mandalas.

          Na terceira fase, bem como identificou Freud, deus e a psique evoluem simultâneamente:1) Primeiro é um deus só instintos.Só pulsão.
                          2) Segundo é um deus inconsciente.
                          3)Terceiro divide sua divindade com o Feminino.
                            
Com o singular.             
                         4) Quarto ele delega a humanidade para á mulher e para á fala, como deus espírito, como deus da fala.

          Feminino como parte integrante e aonde a deidade se realiza. Ainda é metade homem e metade divindade; já não é o Outro e já não somos nós; Já é exclusivo, já é individual, já é deus singular, já é a própria psique.

          Aqui a gente se embaralha, Freud se embaralhou. Aqui as significações começaram a vacilar e as palavras a se embrulharem.
          Isto é o mistério do feminino; o feminino está fora e dentro de nós simultãneamente; nós e deus vivemos dentro do feminino;o feminino está dentro de nós de modo singular.

          Na quarta, e talvez uma última fase, chegou-nos o espírito santo- o Nous , o espírito; de sexo indeterminado,caminha  como caminha a humanidade, para uma sexualidade indeterminada, contrariando a idéia grega do homem como rotundo- metade homem metade mulher que se separam- por vingança dos deuses;que vivem até hoje na busca de seu par e completude opostas, e da sua identidade com totalidade;
          Mas esse deus é o deus da fala; esse deus é o deus onde o Outro, o um fala, e todos entendem, na sua língua e originalidades; esse é o deus da comunicação, esse é o deus de Lacan.
          Esse é o deus que fala e os outros ouvem, esse é o deus que fala e todos entendem a sua fala.
          Esse deus é o deus da consciência.

 

 

Dr. Cesar Ciancio, Médico e Psicanalista - Porto Seguro/BA


Fale com Dr. Cesar:
cesareane@terra.com.br

 

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