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"Star Wars"

por    Alexandre Perlingeiro

                    
                     

          Lembro-me de como fiquei impressionado quando vi o primeiro episódio exibido
desta série. Era jovem e de imediato me identifiquei com os cavaleiros jedi
e suas espadas de luz. O bem contra o mal. Sonhava em lutar aquelas lutas
empunhando o sabre e defendendo o bem dos ataques do mal. Coisas de menino.

          20 anos depois, com o último episódio da série, a revolta dos Sith, aquela
sensação inicial de encantamento não se repetiu. Dessa vez não tomei partido
dos cavaleiros jedi. Já não estou tão maniqueísta.
          O governo Bush, em nome da liberdade e da democracia, invadiu o Iraque para
salvá-lo. As Cruzadas foram feitas para resgatar a Terra Santa dos infiéis.
Todas as guerras são feitas em nome do bem.

          Não acredito em nenhuma forma de violência - a não ser em legítima defesa.
Se bem que este argumento está sendo utilizado atualmente pelo governo
norte-americano para o desenvolvimento de um 'sistema de defesa' com mísseis
intercontinentais e satélites armados com canhões laser.
          Na época da guerra fria se dizia que comunistas comiam criancinhas.
Certamente, eles, do lado de lá, deviam criar suas justificativas também.

          Quando os cavaleiros jedi decidem por matar o senador sith, não estão
fazendo nada mais do que reprimir para o inconsciente suas pulsões
criativas. É o ego querendo dominar e prevalecer. Não suportamos conviver
com nossos opostos. Precisamos eliminá-los.
          É claro que esse mesmo raciocínio é válido para todos os lados. Bem e Mal
são classificações relativas, dependendo de qual seja o seu lado.
          Vem revolução, vai revolução, vem guerra, vai guerra, colocam-se (ou se
elegem) governos, depõe-se governos, muda o regime político, mudam-se os
partidos, mas não se muda o humano. Continuamos carentes. Esse é o nosso
drama, essa é a nossa história, esse é o nosso destino.
          Haverá um guerreiro jedi que lute contra a ignorância de sua própria
natureza?

          Star Wars é um filme para crianças: os meninos exercitam sua masculinidade e
as meninas fantasiam seus príncipes encantados.
          Torço para que, com o passar do tempo, as pessoas saiam desse maniqueísmo e
percebam que a verdadeira jornada deve ser feita dentro da gente, rumo ao
nosso coração e que o sabre de luz é, em verdade, de amor.

          Com carinho,

         

Alexandre Perlingeiro - Vice-presidente da Associação Brasileira de Dakshina Tantra Yoga.
Formado pela Associação Brasileira de Professores de Yoga, com especialização em Dakshina Tantra com Paulo Murilo Rosas.
Formação em Recuperação Motora e Terapia pela Dança-Escola Angel Viana. Massoterapeuta e Shiatsuterapeuta. Arteterapeuta e Arte-Educador (Tear-RJ). Terapeuta Reikiano nível I e II.

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Fale com Alexandre:
alexandre.perlingeiro@tantrayoga.pro.br

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