A plenitude do relacionamento sexual ocorre em uma relação
estável. A plenitude de um relacionamento sexual ocorre em uma relação
estável.
Tendemos a excluir o sexo de nossa dimensão humana total,
inteira. Podemos estar infelizes, mas buscamos nos satisfazer
sexualmente com parceiros temporários, uma masturbação a dois. Não que
haja problema na masturbação, pelo contrário. O problema reside
exatamente em tornar esse momento algo mecânico para satisfazer nossos
instintos (necessidades) e evitando entrar em contato com emoções bem
mais sublimes.
O sexo que deveria ser algo extremamente, profundamente íntimo,
torna-se motivo de distanciamento e separação. Transamos para não
aprofundar a relação, ou seja, para não conhecer verdadeiramente o outro
- e a si próprio.
A plenitude do relacionamento sexual ocorre em uma relação
estável.
Muitos casais decidem por se separar quando percebem que o sexo
se tornou algo morno, burocrático. Exigimos do nosso casamento que seja
eternamente um vulcão em erupção. Não basta o orgasmo, queremos um
hiperorgasmo. Acabam por interromper o processo de aprofundamento da
relação que ora se iniciava e saem à procura de outro vulcão. Paixão.
Estamos famintos de paixão. Queremos intensidade contínua e eterna!
No entanto, é possível ser contínua e eternamente intenso? Que
chatice!
A plenitude do relacionamento sexual ocorre em uma relação
estável.
A maioria de nós, que jamais conseguiu estabelecer um vínculo
duradouro, é incapaz de conhecer as dimensões bem mais abrangentes,
inteiras, integradoras, completas e plenificantes de uma relação
estável.
Não fazemos idéia de como é prazeroso uma troca de olhares entre
duas pessoas que convivem há 30, 40, 50 anos. Não temos condição de
sentir o prazer de um toque - novo sendo o mesmo há tantos e tantos
anos. Como é o gozo aos 80 com a mesma pessoa sempre?
É o amor que nos torna reis e rainhas. Sem o amor somos mendigos
esmolando por migalhas de gozo.
É o amor que permite que o sexo se aprofunde e se engrandeça sem
cair na mesmice, no automatismo e na burocracia conjugal.
É o amor que inclui a dimensão temporal no relacionamento e é
exatamente o tempo, por nos colocar diante de nossa finitude, que nos
torna grandiosos. Ao envelhecermos juntos, ao construirmos uma história
em comum, ao descobrirmos o verdadeiro significado do que seja amar (e
isso não ocorre em dias, semanas nem meses), adquirimos consciência da
transcendência. Aquilo que nos extrapola nos plenifica. Aprendemos, com
o tempo, a gozar continuamente. O que antes era uma fração de tempo
ganha a eternidade. O que antes era finito, torna-se infinito.
A plenitude do relacionamento sexual ocorre em uma relação
estável. A plenitude do relacionamento sexual ocorre com o amor.
Bonito, romântico, mas quem já passou por isso sabe muito bem
quão árduo e penoso é o caminho. É paradoxal, mas o prazer se engrandece
no contato com o sofrimento. Não é para buscar sofrer, mas para deixar
crescer, expandir, até encontrar o oposto. O prazer se refina com o
tempo. A experiência nos torna mais seletivos. Ou seja, paciência e
perseverança são exigidos a todo instante.
A maioria opta por desistir. é mais fácil. E também nos
contentamos com pouco. Se posso ter pouco sem esforço, para que o
esforço para se ter muito? O hiperorgasmo nos basta. O Viagra dá conta
de nossas necessidades. A plenitude é para (poucos) persistentes e
determinados.
A plenitude do relacionamento sexual ocorre em uma relação
estável.