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"A Raça Vermelha"

por    Zantina

                    

                                                       
          Com a industrialização e o avanço da ciência, surgiram grandes cidades, grandes invenções, facilidades nos transportes, uma infinidade de melhorias que valorizamos.
          Talvez tudo tenha acontecido rápido demais na história da humanidade, pois o que temos hoje é uma supervalorização desses benefícios, gerando uma busca frenética e insaciável pelo último lançamento automobilístico ou pela maior medida do televisor. Não há nada de errado em possuir tais coisas, pelo contrário, são admiráveis e prazeirosas. Mas se examinamos as violências no trânsito e a mediocridade de grande parte do que assistimos, percebemos um grande desequilibrio por trás do exagero das nossas ações.
          Pois na pressa de usufruir da tecnologia, desprezamos o que nos parece simples.
          Ostentamos nossos troféus, mas em nosso íntimo dói a saudade do que temos esquecido, adoecemos infelizes e insatisfeitos.

          Muitos de nós olhamos as cidades e já nos sentimos estranhos, buscamos a cura nos ensinamentos da raça vermelha. O povo indígena que exterminamos para construir nossas cidades é a essência que precisamos resgatar para restabelecer a harmonia interior e a do planeta.

          Essência que nunca se esgotou em nós, foi apenas esquecida, e um cabloco guardião vem nos despertar.
          A raça vermelha é a que melhor soube viver em harmonia com a natureza, sentiu a existência de um Criador e reconheceu em toda a criação a mesma centelha divina que anima o ser humano.
          Nunca se excedia ao tomar algo da natureza; colhia frutas, mas deixava uma parte para os animais e aves e outra parte para a própria árvore. Matavam apenas o que era necessário para sua sobrevivência. Respeitavam os animais, as plantas, as pedras, o sol, a chuva, admiravam as suas qualidades, e com humildade pediam seus ensinamentos. E recebiam! Tinham visões, sonhos, até as nuvens conversavam com esse povo que sabia ouvir e amar.

          Conheciam as propriedades curativas das ervas, tratavam as crianças em igualdade e liberdade para que cada uma desenvolvêsse seus próprios talentos e aptidões naturalmente, fortalecendo sua auto-estima.
              Sim, temos muito a aprender com nossos irmãos vermelhos!

          Felizmente, o que morreu foram corpos, seus espíritos estão hoje integrados em todas as culturas ao redor do mundo. Hoje a raça vermelha encarna em todas as raças, misturando-se às outras cores, formando os guerreiros do arco-íris.
          Onde quer que se encontrem, estão promovendo o amor pela natureza e o restabelecimento do equilibrio. Ensinando as pessoas a se integrarem ao ambiente em que vivem e torná-lo mais saudável e agradável. Curando não apenas corpos, como também mentes e espíritos.

          Guerreiros do arco-íris brotados da semente vermelha, estamos aprendendo seus ensinamentos, lendo seus livros, ouvindo suas músicas, vestindo roupas estampadas de índios e lobos.
          Raça vermelha renovada que vem despertando a humanidade para suas raízes, trazendo esperança, fé, confiança; espalhando alegria e prazer de viver; reconduzindo o ser humano para a Boa Estrada Vermelha que nos leva para casa. Lugar onde brilha o sol e crescem as flores e que sentimos tanta saudade.

 

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