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"Elevadores e o Poder da Meditação"

por    Alexandre Perlingeiro

                    
                     

          Estou em um prédio esperando o elevador chegar para descer. Aperto o botão de chamada e a luz de chamada se acende. Alguns segundos depois chega uma mulher que vai e aperta novamente o botão. Passados alguns instantes, como o elevador demorasse, ela torna a apertar pela segunda vez o botão. E, passado mais um pouco, já impaciente, ela passa a apertar ansiosa, compulsiva e sucessivamente o botão de chamada, como se isso fosse acelerar a chegada do famigerado e lerdo elevador.
          Não sei se ela sabe, acho que não, mas, naquele prédio, os elevadores foram programados para não parar no andar quando a capacidade máxima de passageiros for alcançada, ou seja, quando o elevador estiver cheio. Por isso, muitas vezes, para desespero dos que estão esperando, ele passa direto.
          O que mais me chamou a atenção foi a ansiedade dela descarregada no botão de chamada. Daquela maneira estressada e estressante, o máximo que ela conseguiria é danificar o mecanismo de chamada dos elevadores
          Não sei dos problemas e das urgências dessa mulher, mas sei de uma coisa: ficar ali esmurrando o botão não vai adiantar de nada. Se a pressa é tanta, é preferível descer pelas escadas. Daquele jeito ela é uma candidata séria a ter um ataque fulminante do coração.
          Como muito bem nos alerta Leonardo Boff, estamos todos atualmente necessitados da pausa. Em um mundo que nunca para e onde tudo é para ontem, onde todos estão sempre com pressa, não conseguimos parar nem muito menos descansar. O ócio é algo para poucos privilegiados - ou então direito dos vagabundos, desocupados e desempregados. No entanto, assim como necessitamos de alimentos puros e saudáveis, ar e água puros, habitação digna, afeto, cultura... necessitamos também do ócio. Tempo para não fazer nada, para gozar a vida, para ser simplesmente.

          Nesse corre-corre desvairado, nos tornamos cada vez mais impacientes. Não temos tempo para esperar. As frutas devem ser colhidas ainda verdes, as empresas devem ser lucrativas imediatamente, os elevadores não podem nos deixar esperando. Porque não temos tempo. Tempo para esperar a fruta amadurecer, as firmas se tornarem lucrativas e os elevadores chegarem. E assim, porque não temos tempo, frutas verdes são colhidas, firmas (empregados, fornecedores e consumidores) são exauridas e os botões de chamada dos elevadores são destruídos. O trânsito se torna agressivo, as pessoas se tornam agressivas, perde-se o respeito e a civilidade no trato com o outro, com as coisas e com o planeta.
          Porque não temos tempo.
          É por isso que a meditação é uma prática tão revolucionária, pois ela interrompe esse ciclo esquizofrênico e esquizofrenizante de fazer e fazer e fazer. Ao invés da falta de tempo, a pausa. Pausa para ficar sem fazer nada, pausa para respirar, para descansar, para observar.
          Conclamo vocês, como bem apregoava Swami Muktananda, a fazer uma revolução de meditação. Contra todo o estresse da vida atual, meditação.
          Estabeleçam uma rotina diária de meditação. Vocês verão que ao menos 5 minutos por dia basta para causar uma revolução. Sentem-se imóveis por 5 minutos diariamente e observem a respiração. No começo a mente vai estranhar muito e os pensamentos ficarão ainda mais agitados, não importa. Ao menos 5 minutos por dia. É suficiente. Por 5 minutos diariamente, concentrem-se apenas no ar entrando e saindo. Nada de filhos, nem escolas, nem maridos ou esposas, nem chefes nem horários. Apenas o ar entrando e saindo.
         Gostaria de saber de vocês o poder transformador dessa experiência, o poder da transformação pela meditação.

PS.
Notem que ser paciente não quer dizer ser irresponsável com os compromissos, pelo contrário. Há uma grande atenção com a nossa agenda diária, mas a quantidade de compromissos não é assumida em demasia. E há também espaço para não se ter compromisso algum.  

 

Alexandre Perlingeiro - Vice-presidente da Associação Brasileira de Dakshina Tantra Yoga.
Formado pela Associação Brasileira de Professores de Yoga, com especialização em Dakshina Tantra com Paulo Murilo Rosas.
Formação em Recuperação Motora e Terapia pela Dança-Escola Angel Viana. Massoterapeuta e Shiatsuterapeuta. Arteterapeuta e Arte-Educador (Tear-RJ). Terapeuta Reikiano nível I e II.

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Fale com Alexandre:
alexandre.perlingeiro@tantrayoga.pro.br

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