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Desde criança ouvia minha mãe comentar quando alguém ficava muito
pensativo: “de pensar morreu um burro”! A pessoa ria e deixava de se
concentrar em seus pensamentos.
Não sei se é um ditado popular, até hoje não ouvi nenhuma outra
pessoa dizer essa frase. A frase é engraçada, parece uma brincadeira,
mas há uma verdade contida nela.
Pensamentos demais povoam nossa mente. Pensamos sobre nossas
atividades, as obrigações imediatas, as dificuldades que enfrentamos, o
que será de nós no futuro, as pessoas de quem gostamos e as que não
gostamos também. Tudo ao mesmo tempo. Parece entulho!
Os pensamentos se unem formando uma historinha, a fantasia, onde
se desenrolam as ações, as pessoas dizem o que imaginamos, somos vítimas
de tragédias e injustiças, onde triunfamos algumas vezes.
Outras vezes, imaginamos o extremo, a nossa morte, e ficamos até
comovidos imaginando as reações das pessoas que conhecemos. Tudo no
melhor estilo de novela mexicana.
Dessa forma vivemos uma vida paralela, muitas vezes mais
emocionante e agradável do que nossa vida real. E ansiamos pelo próximo
capítulo, até ficando aborrecidos se alguém nos interrompe. Não querendo
ser importunados pela vida real.
É um prato `cheio´ para ciumentos, vingativos e depressivos que
se alimentam dos próprios pensamentos e criam na sua vida paralela
motivos e razões para sua angústia.
Sim, de pensar morreu um burro!
Pois de tanto pensar não se consegue mais distinguir entre a
realidade e a estória criada em sua mente. Usa-se um olhar, uma frase,
alguns segundos da vida de alguém para trazer dentro da mente como dado
para justificar o ciúme ou a raiva que sente. Cria-se ao redor desse
dado uma seqüência lógica de pensamentos para sentir-se cada vez mais
injustiçado, papel principal da novela mexicana.
Dessa maneira acaba agredindo as pessoas próximas e afastando-as
de si. E no auge da sua fantasia acredita ser isso uma prova de que seus
pensamentos estavam certos.
Quem dá vazão a seus pensamentos não consegue ser feliz. Porque
felicidade é perceber a vida como ela é. Os turbilhões de pensamentos
distorcem a realidade e as pessoas que nos rodeiam não irão nunca se
adaptar aos pensamentos que temos sobre elas. Não farão o que esperamos
porque não são o que pensamos.
Melhor acionar a inteligência para gerenciar os pensamentos e
decidir se concentrar naquilo que é favorável e deixar que o resto se
vá. |