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"Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças" por Alexandre Perlingeiro |
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Certa vez recebi um homem de meia-idade que me disse estar buscando a yoga por causa de sua namorada. Ele acabara de terminar um longo relacionamento e havia se apaixonado por uma mulher muito mais nova do que ele. Estava se sentindo inseguro e até com medo da impotência. Apesar de nunca ter acontecido isso com ele antes, estava com medo de brochar. Ele queria fazer yoga para se tornar mais seguro de si e para melhorar seu 'desempenho'. Disse-lhe que o Tantra não poderia ajudá-lo nessa situação pois isso tudo que ele estava vivendo era fruto de uma ilusão em relação à nova namorada. O Tantra poderia ajudá-lo a acabar com a ilusão e não o contrário. Qualquer coisa que fosse feita nesse caso para ajudá-lo em sua insegurança e no medo da impotência só iria reforçar o processo ilusório. O Tantra acaba com a ilusão e as fantasias! Ele retirou-se desapontado e não voltou mais. Assim somos. Queremos fazer coisas que no fim só vão reforçar o estado de ignorância em que nos encontramos. O processo de auto-conhecimento é doloroso, sofrido, trabalhoso... é muito mais cômodo ficar na ignorância se iludindo com fantasias e expectativas que criamos em nossa cabeça. Os relacionamentos nos mostram isso. Quando uma pessoa não atende mais às nossas expectativas, o que decidimos fazer: matar a pessoa ou a expectativa? Óbvio que a maioria terminará o relacionamento e irá procurar outro(a) que se encaixe dentro do perfil ilusório e que aceite vestir a máscara de príncipe ou princesa encantados. Só que ninguém é capaz de atender por muito tempo às nossas expectativas e aí, sempre virá a frustração. Como não queremos sofrer, como não somos maduros o suficiente para aceitar a frustração como um processo sadio (e doloroso, obviamente) de crescimento, recusamo-nos a nos frustrar, recusamo-nos a sofrer, recusamo-nos a abdicar das nossas expectativas em relação ao outro(a). É mais cômodo tentar com um novo outro(a). Talvez com esse(a) novo(a) parceiro(a), tudo dê certo e ele(a) me faça realmente, eternamente, infinitamente feliz. Coitado(a) dessa pessoa que recebeu sem querer uma missão impossível! Resultado: nova frustração, nova recusa, novo término, nova procura, nova substituição, novo recomeço. E assim, de recomeço em recomeço, de ilusão em ilusão, não cansamos de ter esperança de ser felizes. Nesse sentido ter esperança é profundamente alienante porque nos alijamos de nós mesmos em detrimento de um suposto outro perfeito e inalcançável que nos fará felizes. É um processo neurótico e neurotizante, alienado e alienante, em que me utilizo do outro para meus próprios interesses egoístas e quando o desejo acaba, descarto-o para rapidamente substituí-lo. Tudo em nome da felicidade. E assim mantemos a indústria do consumo e o próprio capitalismo. Estamos consumindo felicidade e sendo consumidos nessa grande engrenagem das relações. E assim o amor se vai, nossas energias se vão, nossas vidas se vão. Quando nos dermos conta, quando amadurecermos, o tempo já se foi. Por outro lado, é assim que deve ser. Precisamos nos apaixonar. Precisamos consumir. Precisamos buscar felicidade. Precisamos amar. Nessa busca, vamos rodar o mundo, rodar o tempo, rodar a vida, até que retornaremos ao ponto de partida e olharemos para trás. Retornaremos finalmente ao início. Um suspiro, descanso, paz. Quietude. Silêncio. Chegamos. O sagrado se faz. O amor se faz. A vida se faz. A felicidade se estabelece. Já não há mais meta a ser alcançada, já não há caminho a ser percorrido, já não há amor a ser conquistado, já não há felicidade a ser vivida, já não há mais meta. Retornei ao início da busca quando ainda era inocente e puro. O paraíso é aqui e agora. Estando a alma dolorida e calejada, a respiração acontece simplesmente e o corpo relaxa. O choro vem, o riso vem, a raiva vem, o medo vem, a vida vem. Tudo vem. Tudo passa. A vida passa. A vida é. Eu sou. O que brilhará em mim se não houver mais memória?
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| Alexandre
Perlingeiro - Vice-presidente da Associação Brasileira de Dakshina Tantra Yoga. Formado pela Associação Brasileira de Professores de Yoga, com especialização em Dakshina Tantra com Paulo Murilo Rosas. Formação em Recuperação Motora e Terapia pela Dança-Escola Angel Viana. Massoterapeuta e Shiatsuterapeuta. Arteterapeuta e Arte-Educador (Tear-RJ). Terapeuta Reikiano nível I e II. |
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| Outro
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