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"Apego"

por    Alexandre Perlingeiro

                    
                     
          Li uma frase em um adesivo de carro que dizia: se dinheiro não traz felicidade, então me dê o seu e seja feliz.
          Segundo esse raciocínio, pessoas ricas não podem ser felizes. Prosperidade e felicidade seriam coisas antagônicas. Somente os pobres poderiam ser felizes.
          Isto é um engano. Felicidade é um direito inalienável de qualquer pessoa, rica ou pobre. É a nossa essência.
          O grande problema não é a posse e sim o apego. Posso ter muito e não estar apegado e posso não ter nada e estar apegado.
          É claro que uma pessoa de posses terá muito mais dificuldade em se desapegar do que um outro que vive modestamente. É como diz o Cristo, é mais fácil
passar um kamelus (tipo de corda grossa utilizada em embarcações) pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Não é impossível, mas é bem difícil.
          Relembrando outra parábola, quem está mais desapegado, a velha senhora que deu tudo o que possuía (as três moedas de prata) ou o homem rico que deu um saco de ouro?
          Havia um grande yogue que vivia em uma caverna em estado de profunda meditação. Ele se alimentava de sopa de urticária. Utilizava uma tigela para fazer suas refeições. Certa vez, a tigela caiu de suas mãos. O único bem que ele possuía havia sido destruído. Depois disso ele entrou em transe extático.
          Um outro exemplo: um devoto chegou para Swami Muktananda e lhe ofereceu todos os seus bens. Baba agradeceu e lhe disse: a partir de agora eu te nomeio guardião dos meus bens. Cuide deles.
          Apego e desapego.
          Podemos ter apego por qualquer coisa na vida: conhecimento, poder, sexo, chocolate, televisão, status, roupas, um nome, um carro, um computador... qualquer coisa pode servir de objeto de apego. É da natureza do ego se apegar. É da natureza do ego dizer 'isto é meu'.
          Por isto devemos observar o ego e sorrir.
          Nada neste mundo nos pertence. Chegará a hora em que tudo nos será retirado, até mesmo o nosso corpo (e a noção do eu). Se estamos apegados, este será um
momento de grande sofrimento. Se não há apego, será vivenciado como conseqüência natural da vida.
          A iminência da morte nos torna desapegados. Diante dela valorizamos o que é essencial.
          Qual é o seu apego? O que é verdadeiramente essencial para você?
          Estar desapegado não quer dizer de maneira nenhuma ser perdulário ou inconseqüente. Todos sabemos bem do esforço que é necessário para se conseguir algum dinheiro. 'Ganharás o pão com o suor do teu trabalho'. E bota suor nisso.
          E como é fácil perder tudo. Uma noite em um bingo e podemos perder o salário inteiro do mês. Será que essa pessoa que perdeu todo o seu dinheiro no bingo
é desapegada? Se eu fosse o marido ou a esposa dela, interditava na justiça esse(a) maluco(a). Ela é incapaz de gerir suas finanças. É perdulária.
          Devemos cuidar de nossos bens com um pouco de avareza, pois eles não nos pertencem. Tudo que está conosco pertence ao Senhor. E ele há de nos tomar suas coisas na hora que bem lhe aprouver. Por ora somos os responsáveis. Temos a obrigação de zelar pelas coisas do Senhor.
          Se Ele dá 5 moedas a cada um de nós, temos a obrigação de fazer essas riquezas renderem. Esse é o desejo do Senhor. O dinheiro é dele e devemos trabalhar arduamente para ele.
          Desapego.
          Com desapego, cuide dos seus bens, do seu corpo, das suas emoções, da sua família, das suas amizades, cuide do seu trabalho, da sua cidade, deste
planeta. Com desapego.

          Com carinho,
Alexandre Perlingeiro - Vice-presidente da Associação Brasileira de Dakshina Tantra Yoga.
Formado pela Associação Brasileira de Professores de Yoga, com especialização em Dakshina Tantra com Paulo Murilo Rosas.
Formação em Recuperação Motora e Terapia pela Dança-Escola Angel Viana. Massoterapeuta e Shiatsuterapeuta. Arteterapeuta e Arte-Educador (Tear-RJ). Terapeuta Reikiano nível I e II.

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Fale com Alexandre:
alexandre.perlingeiro@tantrayoga.pro.br

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