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Os Proprietários Rurais e a Responsabilidade da Recarga Hídrica
por Francisco A. Romanelli

                 

          Passa da hora de focalizar atenção nas propriedades rurais, como principais colhedores e receptáculos das águas. As informações escolares sobre o “nascimento” das fontes de água são, dentro de um padrão didático, razoáveis. O aluno aprende que a água vem das chuvas, que vêm das nuvens, que vêm da evaporação da água. Em níveis mais adiantados, aprende até que grandes evaporações ocorrem nos oceanos e que o regime dos ventos conduz grandes nuvens que deságuam nos continentes. Pronto: o milagre da formação da água aconteceu.

          Tal quantidade de informação acadêmica poderia ser suficiente não houvesse necessidade de otimizar o aproveitamento dessa dádiva preciosa da natureza. Os seres vivos são, no geral e na média, água em mais de 70% de sua composição. Para os humanos, além do consumo direto, a água ainda é preciosa para lazer, higiene, processos industriais etc. Ocorre que o século XX terminou com a consciência e o conhecimento humanos em xeque. A razão: pela forma e no ritmo em que é utilizada, a água aproveitável está ficando cada vez mais escassa.

          A população aumenta, o consumo também e em proporção ainda muito maior. Há sobrecarga de poluentes e resíduos que são direcionados para o solo ou cursos de água – e daí sempre para os reservatórios hídricos. Atividade humana pressupõe crescimento econômico: mais produção, mais construções, o que equivale a desmatamento, e impermeabilização de solo;  o que equivale a menos retenção hídrica em ambiente natural.

          Qual a solução imediata? “Fabricar” mais água. É possível? Claro, mas apenas se houver esforço maciço e conjunto de todos os órgãos de educação e preservação ambiental, públicos ou privados, para alertar os proprietários e produtores rurais da sua responsabilidade na captação de água e na ampliação da recarga hídrica. Demonstrar a importância,  como preciosos instrumentos de captação e retenção da água, das matas de topo, das barragens e poços de contenção das chuvas, das áreas de nascentes, das matas ciliares e áreas de reserva legal etc. Basicamente, tornar nítido que a propriedade valiosa do futuro será aquela que possuir um melhor índice de riquezas naturais, principalmente água.

 

Francisco A. Romanelli é ecologista e educador. Presidente da Associação Ecológica Vertente e Vice-Presidente da Associação de Proteção Ambiental de Varginha (MG) e Região.
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