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O Calor Nosso de Hoje em Dia |
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Estudos publicados por cientistas da Universidade de Estocolmo, Suécia, dão conta de que não existe qualquer registro de uma década tão quente como a de 90. Mesmo o registro natural em vegetais, fósseis e rochas autoriza a afirmativa de que não houve década mais quente nos dois últimos milênios. O fascinante estudo, que considera dados obtidos pela análise dos núcleos dos sedimentos e dos anéis dos troncos de árvore, acompanhou a variação da temperatura nos últimos dois mil anos e confirmou o que as ciências ambientais vêm relatando: apesar de existir variações de temperatura por causas absolutamente naturais, a interferência humana está acelerando o processo de aquecimento global. As pressões naturais sobre o aquecimento vêm habitualmente de grandes erupções vulcânicas, responsáveis pelo depósito de quantidades enormes de gases carbonados, principalmente CO2 (dióxido de carbono), na atmosfera e de alterações dos ciclos de radiação solar. Mas a existência de uma vida tecnologicamente avançada, creditada ao ser humano, interage com os processos naturais provocando uma aceleração incontida no processo. Por um lado, no mundo civilizado de hoje é necessário aumentar as emissões de gases carbono pela queima artificial de combustíveis fósseis, principalmente para manter a continuidade e o crescimento do processo fabril e a grande frota de veículos automotores em funcionamento. Por outro, imperativo que se destruam áreas verdes, responsáveis pela absorção desses gases, para ampliação de culturas e pastagens e para sustentar o crescimento demográfico e a extração de riquezas. O crescente processo de “desertificação” dos mares e oceanos do globo, principalmente pela deposição de resíduos de esgotos domésticos e industriais, mata enormes áreas de fitoplânctons, alga unicelular que é responsável tanto por emissão significativa de oxigênio como pelo seqüestro de gases carbono. Estudos pessimistas afirmam que a temperatura do planeta subiu 1° C em média nos últimos cento e cinqüenta anos e subirá, ainda dentro deste século, cerca de mais 15° C. Os otimistas fixam esses limites em 0,5° C e 5° C. Mas em uma coisa todas as pesquisas convergem: o planeta está em franco processo de aquecimento. Cinco ou quinze graus representam catástrofes de grande amplitude – enormes áreas submersas ou alagadas, tempestades abundantes e destruidoras, redução de áreas para sobrevivência humana, maior concentração demográfica, processo de destruição mais acelerado... tudo isso contabilizando o corte de milhares de vidas – humanas ou não. No extinguir do século XX a humanidade participou de uma grande convenção sobre aquecimento global. Dela, surgiu um protocolo de ações que visa a redução gradual da emissão de gases causadores do chamado efeito estufa. São ações tímidas, frente a uma situação de tremendo potencial agressivo. Com a queda da cortina de ferro e do muro de Berlim, o capitalismo desenfreado ampliou a cultura do consumo e da extração ilimitada de riquezas. Fala-se muito em crescimento sustentável e consumo sustentável. Mas nenhum processo se sustentará, em um quadro de mudanças climáticas tão rápidas como as que se tem vivenciado e que ainda serão vividas, enquanto faltar o principal ingrediente dessa fórmula: o bom senso do governo dos países economicamente mais poderosos.
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| Francisco
A. Romanelli é
ecologista e educador. Presidente da Associação Ecológica Vertente e
Vice-Presidente da Associação de Proteção Ambiental de Varginha (MG)
e Região. |
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